Michael Jackson – Earth Song

retiraram o vídeo.

Um dos melhores sons de sempre.

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Um comentário a “Michael Jackson – Earth Song”

  1. silas correa leite 27. Jun, 2009 at 4:32 am #

    Poema (In Memoriam)

    Michael “Neverland” Jackson

    (Sampa 25.06.09)

    “Você pode mudar o mundo/(Eu não
    consigo sozinho)/Você pode tocar o
    céu/(Vou precisar de ajuda)/Você é
    o escolhido/(Vou precisar de um sinal)/
    …E se todos chorassem hoje à noite?”

    Cry (Michael Jackson/R. Kelly)

    Michael Jackson era negro e queria ser branco (com sua cota ancestral de dor negra)
    O que o vitimizou – como um estigma
    Michael Jackson era pobre e queria ser rico (de posses infantis e desejos transversais)
    O que o desconfigurou como um estorvo
    Michael Jackson era homem e queria ser mulher (de alguma maneira que pudesse)
    O que o adulterou – Narciso cego, Édipo manco
    Michael Jackson queria ser judeu (mas era um Peter-Pan enjaulado em cantagonias)
    O que o marcou como ser na identificação de.

    Michael Jackson como um não-Ser num não-lugar
    Cantava dançava compunha dirigia criava voava
    Um quase preto homem-menina com desvios íntimos
    Com fox-trot nos pés e nos quadris portentosos
    E uma alma sempre criança mal-amadurecida
    Na ultrajada inocência para fins midiáticos e lucrativos

    Fugiu-se na música – as ousadas canções
    Tinha ritmo frenético – em viagens sonoras
    Sobreviveu feito ermitão – urbano entre brinquedos
    O pop do alto ao chão – paranóia na vida-livro
    Muito além dos píncaros da glória efêmera…

    Agora não tem cor – Não há cor na morte
    Agora não tem posses – Nada levamos daqui
    Agora não tem sexo – A terra há de comer
    Agora não tem vitiligo: pergunte ao pó

    Para ter sua tão sonhada Neverland
    Assim na terra como no céu em purgações
    Cortaria os próprios pulsos com música
    Melodia, harmonia, ritmo em vício-clip

    Sem saber que do outro lado da vida-hollywood-presley
    Não há hormônios – nem cirurgias
    Não há espelhos – nem camarins

    Talvez nalgum lugar entre o céu e o inferno da terra-mãe
    Ele encontre finalmente paz – mas uma paz não humana
    E então não tenha mais vergonha da cor
    Não tenha nunca mais vergonha do rosto
    Não tenha vergonha da origem ou do sexo

    Porque seu espírito atribulado finalmente se refrigerará
    Em estúdios muito além de suas tantas realidades paralelas
    E dentro da morte – muito além do som do silêncio –
    Ele novamente ensaiará os primeiros passos de si mesmo
    Como num “Thriller”.

    -0-

    Silas Correa Leite – Santa Itararé das Letras, São Paulo, Brasil
    E-mail: poesilas@terra.com.br
    Blogue premiado do uol: http://www.portas-lapsos.zip.net
    Autor de “O Homem Que Virou Cerveja”,
    Crônicas Hilárias de Um Poeta Boêmio,
    Prêmio Valdeck Almeida de Jesus, Salvador, Bahia, 2009, Giz Editorial, no prelo

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